COMENDO BIBLIA...



Entendendo o SACERDÓCIO:


Em certo sentido, não deveríamos ficar surpresos de que possamos extrair muitas lições das vestes mencionadas na Bíblia. Por que nos surpreenderíamos? Afinal, roupas fazem parte de nós; elas podem dizer muito a nosso respeito e sobre quem somos, mesmo quando nenhuma voz é ouvida. Estando certos ou errados, frequentemente fazemos julgamentos sobre outros pelo que eles vestem ou como se vestem.

A lição desta semana focaliza a questão do traje, no contexto de Jesus. Vamos explorar a experiência da mulher que teve fé, quando tudo o que tinha para fazer era tocar a roupa do Mestre a fim de ser curada. Há também o episódio de Jesus, tirando uma parte de Seu vestuário para lavar os pés dos discípulos. Em seguida, analisaremos o sumo sacerdote que, diante do Senhor, praticou um ato que selou a condenação do altivo dirigente. Então, veremos Jesus com as vestes de escárnio que Lhe foram impostas pelos soldados romanos. Finalmente, focalizaremos os soldados lançando sorte sobre as vestes de Cristo, em cumprimento de uma antiga profecia. São apenas roupas, é verdade; mas, evidentemente, cheias de simbolismo e significado.





“Quem Me tocou nas vestes?”

Marcos 5:24-34 e Lucas 8:43-48 contam a história da mulher “que, havia doze anos”, lutava com uma hemorragia. Além de ter sido essa uma condição médica perigosa, em si mesma, naquela cultura, a doença carregava o estigma da impureza ritual, o que, sem dúvida aumentava a miséria daquela mulher. Enquanto isso, os médicos nada podiam fazer. Ela vivia tão desesperada, que gastou todo o dinheiro; todavia, somente piorava, o que não é de surpreender, considerando os tipos de tratamento médico existentes naquela época. Mal podemos imaginar quanto sofrimento e culpa ela carregava por causa de sua enfermidade.

Então, apareceu Jesus, Aquele que realizava milagres incríveis.

1. Leia Marcos 5:24-34 e Lucas 8:43-48. Que significado existe no fato de que a mulher acreditou que seria curada apenas tocando as vestes de Jesus?


Aquela mulher tinha muita fé em Jesus; o bastante para crer que, se ela pudesse tocar Suas roupas, seria curada. Na verdade, não foram as vestes em si mesmas que a curaram, nem mesmo o toque. Foi apenas o poder de Deus operando em alguém que, em total desespero, foi ao Senhor com fé, consciente da própria impotência e necessidade. Aquele toque foi a revelação da fé em obras, e cristianismo significa exatamente isso.

2. Por que Jesus teria desejado saber quem havia tocado Suas vestes?


Ao fazer a pergunta e ao tornar públicos o ato e a cura da mulher, Jesus a usou como instrumento de testemunho àqueles que O rodeavam. Certamente, Ele queria que outros soubessem o que havia acontecido e, provavelmente, Ele também quisesse que ela entendesse que não havia nenhum poder mágico em Suas vestes, capaz de produzir a cura. Mas o poder de Deus havia operado nela através de seu ato de fé. Entretanto, por mais embaraçosa que sua condição tivesse sido, ela estava curada e podia testemunhar sobre o que Cristo lhe fizera.

Como podemos aprender ir ao Senhor, como fez aquela mulher, em fé e submissão, conscientes de nosso desamparo? Mais ainda: Como podemos conservar a fé e a confiança nEle, quando a cura que pedimos não acontece como desejamos?




Ele “tirou as vestes”

Nos últimos dias da vida de Cristo, Ele Se encontrou com os discípulos no cenáculo para celebrar a Páscoa, festa nacional israelita, comemorativa de sua libertação da escravidão egípcia. Todavia, nem tudo estava bem. A atmosfera no cenáculo parecia estar densa por causa das tensões e má vontade. Pouco tempo antes, os discípulos estiveram discutindo sobre quem devia ocupar o lugar principal no reino. Agora, estavam juntos para celebrar a Páscoa, que deveria lhes ter falado a respeito da grande necessidade da graça salvadora de Deus na vida deles e de quão dependentes eles eram de Cristo.

3. Leia Mateus 20:20-28. Depois de passar muito tempo com Jesus, que importante lição os discípulos tinham deixado totalmente de captar?


Como se as atitudes dos discípulos não fossem suficientemente más, ainda havia Judas, o traidor, agindo como se nada houvesse de errado. Em meio a tudo isso, quando Jesus tinha todo o direito de estar desgostoso com eles, que atitude o Mestre tomou?

4. Leia João 13:1-16. Qual é a lição ensinada por Jesus aqui? Por que, de muitas maneiras, ela é a chave para compreendermos o que significa ser seguidor de Cristo?


Era costume dos discípulos fazer provisão para lavar os pés, a fim de limpá-los da sujeira das ruas. Esse era trabalho para um servo. Mas os discípulos não tinham servos. E nenhum deles se curvaria para fazer essa humilhante tarefa. Quando Jesus “tirou a vestimenta de cima” e começou a lavar os pés daqueles homens, o coração deles se comoveu. Eles haviam declarado ser Cristo o Filho de Deus. O fato de que o Filho de Deus Se curvasse para fazer o trabalho de um servo os envergonhava. O texto diz que, antes de fazer isso, Cristo “tirou a vestimenta de cima”, mostrando Sua boa vontade para Se humilhar e abaixar a qualquer nível necessário para alcançar Seus seguidores.

Então, como se tudo isso não fosse bastante, sabendo perfeitamente bem o que estava no coração de Judas, Ele também lhe lavou os pés.

Quão “baixo” você está disposto a ir pelo bem de outras pessoas? Qual foi a última vez em que você “tirou as vestimentas” para ministrar às necessidades dos que estão ao seu redor?






“Nem rasgará as suas vestes”

“O sumo sacerdote entre seus irmãos, sobre cuja cabeça foi derramado o óleo da unção, e que for consagrado para vestir as vestes sagradas, não desgrenhará os cabelos, nem rasgará as suas vestes” (Lv 21:10).

5. O que podemos ler na atitude do sumo sacerdote, ao rasgar suas vestes em reação à resposta que Cristo lhe deu? Mt 26:59-68; Mc 15:38; Hb 8:1


O sumo sacerdote rasgou as próprias vestes para simbolizar que Jesus estava para ser condenado à morte. Esse ato também traduzia a indignação de Caifás e significava seu horror diante da suposta blasfêmia que diziam ter Cristo proferido, ao Se declarar Filho de Deus. A lei mosaica proibia ao sumo sacerdote rasgar suas vestes clericais (Lv 10:6; 21:10), porque aquelas vestes simbolizavam a perfeição do caráter de Deus. Rasgá-las era o mesmo que profanar o caráter de Deus, desfigurar Sua perfeição. Assim, a ironia foi que Caifás era culpado de transgredir a própria lei que ele mesmo defendia. Isso o tornava indigno de seu ofício. Pior que isso, a penalidade para esse delito era a morte. Em tudo isso, é irônico que Jesus, que nada tinha feito de errado, estava para ser condenado à morte pela instigação do sacerdote que, por causa de suas ações, merecia morrer.

O simbolismo do gesto de rasgar as vestes era profundo. Era o começo do fim de todo o sistema terrestre de sacerdócio e sacrifício. Em breve, seria inaugurado um sistema novo e melhor, tendo Cristo como novo Sumo Sacerdote ministrando no santuário celestial.

As vestes do sacerdócio terrestre, tão cheias de simbolismo e significado para seu tempo, logo se tornariam símbolos de um sistema destituído de qualquer significado e perto do fim. Quão terrível é que os líderes religiosos estivessem tão cegos pelo ódio, ciúme e temor, que quando Cristo veio – Aquele para quem o sistema religioso de então apontava – muitos daqueles líderes (não todos) não perceberam! Era o povo comum que aceitava Jesus como Messias e assumia o trabalho que aqueles sacerdotes deveriam ter feito.

Em que sentido podemos ser apanhados em nosso senso de justiça própria, de superioridade moral e espiritual, que nos torna cegos para as importantes verdades que o Senhor deseja que aprendamos?





Vestes de zombaria

Logo a seguir, os soldados do governador, levando Jesus para o pretório, reuniram em torno dEle toda a coorte. Despojando-O das vestes, cobriram-nO com um manto escarlate; tecendo uma coroa de espinho, puseram-lha na cabeça e, na mão direita, um caniço; e, ajoelhando-se diante dEle, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus!” (Mt 27:27-29).

6. Qual é a terrível ironia que aparece no texto acima? O que isso nos diz sobre a ignorância, insensatez e crueldade humanas? Será que o mundo hoje ainda trata seu Redentor de forma tão impiedosa? Leia Lc 23:10, 11; Mc 15:17-20


Jesus foi desprovido de Suas vestes e trajado com um manto escarlate ou purpúreo. Esse manto pode ter sido a capa de um soldado ou um dos velhos trajes de Pilatos. Púrpura era a cor da realeza. Em zombaria, aquele manto foi lançado sobre os ombros dAquele que Se dizia rei.

Nenhum rei é completo sem a coroa. Os torturadores de Jesus modelaram para Ele uma de espinhos, tirados de pontiagudos arbustos que cresciam na região da Palestina, e colocaram em Suas mãos um caniço, como imitação de um cetro real. Então, se inclinaram diante dEle em zombaria, aclamando-O rei dos judeus. Mas, enquanto a zombaria do sacerdote consistia de um ataque à autoridade espiritual de Jesus, a dos soldados atacava Sua soberania política. O verdadeiro Rei estava exposto em uma cerimônia de escárnio, vestindo roupas de zombaria. Aquele que ofereceu ao mundo pecaminoso Suas vestes de justiça e perfeição, agora, estava vestido com trajes de zombaria.

O mais incrível é que Jesus suportou tudo isso, pelo menos em parte, por causa de Seu amor por aqueles que O tratavam daquela maneira. Quantos de nós, no momento em que alguém nos ameaça ou maltrata, reagimos com ira e buscamos vingança! Porém, devemos olhar o exemplo que Jesus nos deixou, ao reagir a esse tratamento.

Como você responde, ao ser tratado injustamente? O que você pode extrair do exemplo de Cristo, para agir de modo diferente na próxima vez em que isso acontecer?





Repartiram entre si as Minhas vestes”

É difícil imaginar a humilhação que Jesus suportou. Depois da cerimônia de zombaria feita pelos soldados, Ele foi levado para a cruz e, ali, foi despido dos últimos vestígios de Suas posses terrestres, as roupas tiradas de Suas costas. Açoitado, rejeitado, humilhado, zombado e, agora, despido e crucificado, Jesus estava, na verdade, bebendo o cálice amargo que, “desde a fundação do mundo” (Ap 13:8), Lhe estava reservado.

7. Leia João 19: 23, 24 (ver também Mt 27:35). Que significado profético a Bíblia apresenta para o que aconteceu ali, e por que isso é importante?


Perceba que ali ocorria o maior episódio em toda a história cósmica, diante dos soldados preocupados com algo tão mesquinho como dividir entre si as roupas de uma vítima!

Todavia, a ação deles não era tão trivial, porque a Bíblia mostra que os soldados estavam cumprindo uma profecia. João liga o episódio diretamente ao Salmo 22:18 (Mateus também o faz), dizendo que tudo aconteceu “para se cumprir a Escritura”, dando assim mais evidência para nossa fé.

Pense no que isso poderia ter significado para Jesus. Com o peso dos pecados de todo o mundo caindo sobre Ele, a separação do Pai O esmagando, Jesus viu os soldados dividindo Suas roupas e lançando sortes sobre a túnica, em cumprimento da profecia. Isso facilmente Lhe poderia ter dado coragem extra para suportar o que estava enfrentando na cruz. As ações dos soldados eram mais evidências de que, independentemente de quão terrível fosse a provação, quão terrível o sofrimento, a profecia estava sendo cumprida, Seu ministério terrestre estava se aproximando do grande clímax, e a provisão para salvação de todo o ser humano que a pedisse pela fé devia ser feita. Assim, Jesus devia suportar tudo, e Ele o fez.

Que profecias bíblicas você acha que ajudam mais a confirmar sua fé, especialmente em tempos de necessidade, quando ela é provada pelo sofrimento?

ARÃO CONFIRMADO


Números, 17.

A rebelião, promovida por Coré, havia despertado grande desconfiança entre o povo sobre a autenticidade e a exclusividade do sacerdócio de Arão. Mesmo com a morte de Coré, dos principais envolvidos e outros subversivos, somando ao todo cerca de quinze mil pessoas, havia ainda dúvidas.
O SENHOR portanto determinou que a sua escolha de Arão fosse provada visível e definitivamente, mediante um sinal sobrenatural.
Um príncipe de cada tribo dos israelitas deveria trazer até Moisés uma vara correspondente à sua tribo, inscrita com o seu nome. Arão, príncipe da tribo de Levi, inscreveria seu nome em sua vara. Moisés levaria as varas até dentro da tenda congregação, defronte ao Testemunho (a Arca do Concerto). O SENHOR faria florescer a vara daquele que Ele escolhesse para o cargo.
Essas varas eram de madeira dura, seca, próprias para caminhadas e para conduzir os animais pelo deserto. Não lhes restavam quaisquer sinais de vida, nem o mínimo broto.
Sendo obedecido ao mandado do SENHOR, ao entrar no tabernáculo no dia seguinte Moisés deparou com um fato inédito: a vara de Arão não somente havia brotado, mas produzido flores e amêndoas, tudo dentro de poucas horas! Era uma ressurreição e frutificação que unicamente poderia ser produzida pelo Criador.
Foi uma perfeita ilustração da ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Como no caso de Arão, Seu sacerdócio se baseia no fato da sua ressurreição. No sétimo capítulo de Hebreus é declarado, com toda a franqueza, que se Ele estivesse na terra, sem morrer e ressuscitar, Ele nem sacerdote seria, pois não era descendente de Arão.
Essa ressurreição O habilitou a ser sacerdote. Como aquelas varas, todos os líderes religiosos até hoje acabaram morrendo, inclusive o Senhor Jesus, mas somente Ele ressuscitou dos mortos, dando início à sua igreja, que floresceu e frutificou. Ninguém pode assumir a honra do sacerdócio para si mesmo, a não ser quem é chamado por Deus, como foi Arão (Hebreus 5:4).
Assim como a prova de que Arão fora chamado estava na "ressurreição" da sua vara, o Senhor Jesus ressurgiu da morte para se tornar nosso Sumo Sacerdote. O Seu sacerdócio é muito superior (Hebreus 7), pois:

1. é segundo a ordem de Melquisedeque (Salmo 110:4), portanto superior à ordem levítica, pois Abraão, bisavô de Levi pagou dízimos a Melquisedeque e foi abençoado por ele: o superior abençoa o inferior.

2. é constituído, não segundo uma ordem carnal (a lei que foi dada através de Moisés) revogada por causa da sua fraqueza e inutilidade, mas conforme a nova aliança da regeneração eterna, pela qual nos chegamos a Deus.

3. é fiador desta nova aliança, superior à anterior, podendo salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.

4. é sacerdote perpétuo, imutável, já que vive para sempre, enquanto que Arão morreu, passando o sacerdócio para seu sucessor, e assim sucessivamente.

5. é santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores, e feito mais alto do que os céus, não necessitando oferecer todos os dias sacrifícios por seus próprios pecados.

6. ofereceu-se a si mesmo uma vez por todas, não precisando oferecer sacrifícios pelo povo diariamente, como o anterior.

7. constituído por juramento pelo SENHOR (Salmo 110:4) e não pela lei, que constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza.

O pouco tempo decorrido foi prova adicional da natureza milagrosa do florescimento. Moisés trouxe as varas todas de dentro do tabernáculo para serem vistas pelo povo, e eles viram e tomaram cada um a sua vara.
O SENHOR ordenou que a vara de Arão fosse colocada dentro da arca (com as tábuas da lei (Deuteronômio 10:5) e o pote de maná (Êxodo 16:33), para sinal aos rebeldes. Quem voltasse a murmurar, morreria.
Contudo, o povo ainda estava se condoendo, temendo morrer se por acaso se aproximassem do tabernáculo do SENHOR.

R David Jones


CONHECENDO O SACERDÓCIO:

Nos tempos patriarcais, o cabeça da família servia como sacerdote para ela, passando este dever para o filho primogénito no caso da morte do pai. Assim, nos tempos bem primitivos, verificamos que Noé representava sua família na qualidade de sacerdote. (Gên 8:20, 21) O cabeça de família Abraão tinha uma casa numerosa com que viajava de lugar em lugar, construindo altares e oferecendo sacrifícios a Jeová nos diversos acampamentos. (Gên 14:14; 12:7, 8; 13:4) Deus disse a respeito de Abraão: “Fui familiarizar-me com ele, para que ordenasse aos seus filhos e aos da sua casa depois dele que guardassem o caminho de Jeová para fazer a justiça e o juízo.” (Gên 18:19) Isaque e Jacó seguiram o mesmo padrão (Gên 26:25; 31:54; 35:1-7, 14), e Jó, que não era israelita, mas provavelmente era parente distante de Abraão, oferecia regularmente sacrifícios a Jeová a favor dos seus filhos, dizendo: “Meus filhos talvez tenham pecado e amaldiçoado a Deus no seu coração.” (Jó 1:4, 5; veja também 42:8.) Todavia, a Bíblia não chama estes homens especificamente de ko·hén ou de hi·e·reús. Por outro lado, Jetro, cabeça de família e sogro de Moisés, é chamado de “sacerdote [ko·hén] de Midiã”. — Êx 2:16; 3:1; 18:1.

Sob o Pacto da Lei. Quando os israelitas estavam em escravidão no Egito, Jeová santificou para si todos os primogênitos do sexo masculino de Israel na ocasião em que destruiu os primogénitos do Egito na décima praga. (Êx 12:29; Núm 3:13) Concordemente, estes primogênitos pertenciam a Jeová, para serem usados exclusivamente num serviço especial dele. Deus poderia ter designado todos os varões primogênitos de Israel como sacerdotes e guardiães do santuário. Em vez disso, era do seu propósito tomar todos os varões da tribo de Levi para este serviço. Por isso, ele permitiu que os varões levitas substituíssem os primogênitos das outras 12 tribos (contando-se os descendentes dos filhos de José, a saber, Efraim e Manassés, como duas tribos). Um censo feito ali mostrou que havia 273 primogênitos não-levitas, de um mês de idade para cima, a mais do que varões levitas, de modo que Deus exigiu um resgate de cinco siclos (US$11) para cada um dos 273, sendo o dinheiro entregue a Arão e seus filhos. (Núm 3:11-16, 40-51) Antes desta transação, Jeová já separara os varões da família de Arão, da tribo de Levi, para constituir o sacerdócio de Israel. — Núm 1:1; 3:6-10.

Inauguração do sacerdócio. A designação de sacerdote tem de ser feita por Deus; nenhum homem assume o cargo por conta própria. (He 5:4) Concordemente, o próprio Jeová designou Arão e sua casa para o sacerdócio “por tempo indefinido”, separando-os da família dos coatitas, uma das três principais divisões da tribo de Levi. (Êx 6:16; 28:43) Primeiro, porém, Moisés, o levita, como mediador do pacto da Lei, representou a Deus na santificação de Arão e seus filhos, e encheu-lhes as mãos de poder para servirem quais sacerdotes, procedimento descrito em Êxodo, capítulo 29, e em Levítico, capítulo 8. Sua investidura parece ter levado sete dias, de 1.° a 7 de nisã de 1512 AEC. O sacerdócio recém-investido iniciou seus serviços para com Israel no dia seguinte, 8 de nisã.

Habilitações. Jeová Deus especificou as habilitações necessárias para os da linhagem de Arão que serviriam junto ao altar Dele. O homem, para ser sacerdote, tinha de ser fisicamente saudável e ter aparência normal. Do contrário, não podia chegar-se ao altar com oferendas e não podia chegar perto da cortina entre os compartimentos do Santo e do Santíssimo do tabernáculo. No entanto, tal homem tinha o direito de receber sustento dos dízimos e podia comer das “coisas sagradas” fornecidas como alimento para o sacerdócio. — Le 21:16-23.

Sustento. Não se deram à tribo de Levi terras como herança, mas ela foi ‘espalhada em Israel’, recebendo 48 cidades para morar com suas famílias e seu gado. Treze destas cidades foram dadas aos sacerdotes. (Gên 49:5, 7; Jos 21:1-11) Uma das cidades de refúgio, Hébron, era cidade sacerdotal. (Jos 21:13) Os levitas não receberam uma região como herança tribal, porque, conforme Jeová dissera: “Eu sou teu quinhão e tua herança no meio dos filhos de Israel.” (Núm 18:20) Os levitas executavam as tarefas designadas do seu ministério, e conservavam suas casas e os pastios das cidades que lhes foram concedidas. Cuidavam também de outros terrenos que os israelitas talvez devotassem ao uso do santuário. (Le 27:21, 28) Jeová fazia provisões para os levitas por providenciar que recebessem o dízimo de todos os produtos agrícolas das outras 12 tribos. (Núm 18:21-24) Deste dízimo, ou décimo, os levitas, por sua vez, deviam dar um décimo do melhor como dízimo para o sacerdócio. (Núm 18:25-29; Ne 10:38, 39) O sacerdócio recebia assim 1 por cento do produto nacional, habilitando-o a devotar todo o seu tempo ao seu designado serviço de Deus.
Esta provisão para o sacerdócio, embora abundante, contrastava com o luxo e o poder financeiro alcançado pelo sacerdócio de nações pagãs. No Egipto, por exemplo, os sacerdotes eram proprietários de terras (Gên 47:22, 26), e, por manobras astutas, por fim se tornaram os homens mais ricos e mais poderosos do Egipto. James H. Breasted, em A History of the Ancient Egyptians (História dos Antigos Egípcios, 1908, pp. 355, 356, 431, 432), registra que, durante a chamada Vigésima Dinastia, o Faraó ficou reduzido a mero títere. O sacerdócio estava de posse das terras auríferas da Núbia e da grande província do Alto Nilo. O sumo sacerdote era o mais importante funcionário do fisco do Estado, logo depois do próprio tesoureiro-chefe. Ele comandava todos os exércitos e o tesouro estava na sua mão. É representado com mais destaque nos monumentos do que o Faraó.

O sacerdócio recebia: (1) O dízimo regular. (2) O dinheiro de redenção do primogénito do género humano ou dos animais. No caso do touro, do cordeiro ou do caprídeo primogénitos, eles recebiam a carne como alimento. (Núm 18:14-19) (3) O dinheiro de redenção por homens e coisas santificadas como sagrados, e também por coisas devotadas a Jeová. (Le 27) (4) Certas porções das diversas ofertas trazidas pelo povo, bem como os pães da proposição. (Le 6:25, 26, 29; 7:6-10; Núm 18:8-14) (5) Benefícios derivados das ofertas do melhor dos primeiros frutos maduros dos cereais, do vinho e do azeite. (Êx 23:19; Le 2:14-16; 22:10 [“estranho”, neste último texto, refere-se a alguém que não era sacerdote]; De 14:22-27; 26:1-10) Exceto por certas porções específicas que só os sacerdotes podiam comer (Le 6:29), seus filhos e suas filhas, e, em alguns casos, os da casa do sacerdote — até mesmo escravos — podiam legitimamente participar. (Le 10:14; 22:10-13) (6) Sem dúvida, uma participação no dízimo do terceiro ano para levitas e para os pobres. (De 14:28, 29; 26:12) (7) A presa de guerra. — Núm 31:26-30.

Vestimenta. No desempenho das suas funções oficiais, os sacerdotes serviam descalços, em harmonia com o fato de que o santuário era solo sagrado. (Veja Êx 3:5.) Nas instruções para a fabricação das vestes especiais para os sacerdotes não se mencionam sandálias. (Êx 28:1-43) Eles usavam calções de linho, que iam desde os quadris até às coxas, por questão de decoro, “para cobrir a carne nua . . . a fim de que não incorram em erro e certamente morram”. (Êx 28:42, 43) Sobre este, usavam uma veste comprida de linho fino, amarrada ao corpo por uma faixa de linho. Sua cobertura para a cabeça era ‘enrolada’ sobre eles. (Le 8:13; Êx 28:40; 39:27-29) Esta cobertura para a cabeça parece ter sido um pouco diferente do turbante do sumo sacerdote, que talvez fosse costurado num estilo enrolado e colocado assim na cabeça do sumo sacerdote. (Le 8:9) Parece que foi em tempos posteriores que os subsacerdotes ocasionalmente usavam éfodes de linho, embora estes não fossem ricamente bordados como o éfode do sumo sacerdote. — Veja 1Sa 2:18.

Regulamentos e funções. Exigia-se que os sacerdotes mantivessem asseio pessoal e elevadas normas de moral. Ao entrarem na tenda de reunião e antes de apresentarem uma oferta no altar, tinham de lavar as mãos e os pés na bacia no pátio, ‘para que não morressem’. (Êx 30:17-21; 40:30-32) Ordenou-se-lhes, com um aviso similar, não tomar vinho ou bebida inebriante ao servirem no santuário. (Le 10:8-11) Não podiam aviltar-se por tocar num cadáver ou por prantear os mortos; isto os tornaria temporariamente impuros para o serviço. Os subsacerdotes (mas não o sumo sacerdote) podiam fazer isso, porém, para um parente muito achegado: mãe, pai, filho, filha, irmão, ou irmã virgem que lhe fosse achegada (evidentemente, morando com ele ou perto dele); também a esposa possivelmente estava incluída nos achegados a ele. (Le 21:1-4) O sacerdote que se tornasse impuro por motivo de lepra, de um fluxo, ou de um cadáver ou outra coisa impura, não podia comer das coisas sagradas nem realizar serviço no santuário até ser purificado, senão tinha de morrer. — Le 22:1-9.
Ordenou-se aos sacerdotes não rapar a cabeça ou aparar a extremidade da barba, nem fazer incisões em si mesmos, prática comum entre os sacerdotes pagãos. (Le 21:5, 6; 19:28; 1Rs 18:28) Ao passo que o sumo sacerdote só podia casar-se com uma virgem, os subsacerdotes podiam casar-se com uma viúva, mas não com uma divorciada ou uma prostituta. (Le 21:7, 8; compare isso com Le 21:10, 13, 14.) Evidentemente, todos os membros da família do sumo sacerdote deviam manter a elevada norma de moral e a dignidade atribuída ao cargo do sacerdote. Assim, a filha de sacerdote que se tornasse prostituta devia ser morta, sendo depois queimada como algo detestável para Deus. — Le 21:9.

Quando os sacerdotes estavam de serviço no santuário, seus deveres incluíam o abate dos sacrifícios trazidos pelo povo, aspergir o sangue sobre o altar, retalhar os sacrifícios, manter aceso o fogo no altar, cozinhar a carne e aceitar todas as outras ofertas, tais como as ofertas de cereais. Deviam cuidar dos assuntos relacionados com impurezas contraídas por pessoas, bem como os votos especiais delas, e assim por diante. (Le caps. 1-7; 12:6; caps. 13-15; Núm 6:1-21; Lu 2:22-24) Cuidavam das ofertas queimadas da manhã e da noitinha, e de todos os outros sacrifícios oferecidos regularmente no santuário, exceto aqueles que cabiam ao sumo sacerdote ofertar; queimavam incenso no altar de ouro. (Êx 29:38-42; Núm 28:1-10; 2Cr 13:10, 11) Aparavam as mechas das lâmpadas e mantinham estas supridas de óleo (Êx 27:20, 21) e cuidavam do óleo sagrado e do incenso. (Núm 4:16) Abençoavam o povo nas assembléias solenes na maneira delineada em Números 6:22-27. Mas nenhum outro sacerdote podia estar no santuário quando o sumo sacerdote entrava no Santíssimo para fazer expiação. — Le 16:17.
Os sacerdotes eram primariamente os privilegiados em explicar a lei de Deus, e eles desempenhavam um importante papel no judiciário de Israel. Nas cidades concedidas aos sacerdotes, eles estavam disponíveis para ajudar os juízes, e também serviam junto com os juízes em casos extraordinariamente difíceis, além da capacidade de decisão dos tribunais locais. (De 17:8, 9) Exigia-se que estivessem presentes com os anciãos da cidade nos casos de assassinato não solucionado, a fim de assegurar que se seguisse o procedimento correto para remover da cidade a culpa de sangue. (De 21:1, 2, 5) Quando um marido ciumento acusava a esposa de adultério secreto, ela tinha de ser levada ao santuário, onde o sacerdote realizava a cerimônia prescrita, na qual se apelava para o conhecimento de Jeová sobre a verdade da inocência ou da culpa da mulher, em busca do Seu julgamento direto. (Núm 5:11-31) Em todos os casos, o julgamento feito pelos sacerdotes ou pelos juízes designados tinha de ser respeitado; o desrespeito deliberado ou a desobediência incorria na pena de morte. — Núm 15:30; De 17:10-13.

Os sacerdotes eram instrutores da Lei para o povo, lendo-a e explicando-a aos que vinham ao santuário para adoração. Também, quando não estavam em serviço designado, tinham ampla oportunidade de dar tal ensino, quer na área do santuário, quer em outras partes do país. (De 33:10; 2Cr 15:3; 17:7-9; Mal 2:7) Ao retornar de Babilônia a Jerusalém, Esdras, o sacerdote, ajudado por outros sacerdotes, junto com os levitas, reuniu o povo e gastou horas lendo e explicando a Lei para eles. — Ne 8:1-15.
A administração sacerdotal serviu para salvaguardar a nação em pureza religiosa, bem como em saúde física. O sacerdote devia julgar entre o puro e o impuro em caso de lepra dum homem, duma vestimenta ou duma casa. Ele cuidava de que se cumprissem os regulamentos legais de quarentena. Oficiava também na purificação daqueles que tinham sido aviltados por um cadáver ou que eram impuros por causa dum fluxo doentio, e assim por diante. — Le 13-15.
Parece que, todo sábado, os sacerdotes tinham o privilégio de trocar o pão da proposição. Era também no sábado que a turma sacerdotal daquela semana completava o seu serviço e a nova turma começava a servir para a semana seguinte. Estas e outras tarefas necessárias eram realizadas pelos sacerdotes sem que isso constituísse uma violação do sábado. — Mt 12:2-5; compare isso com 1Sa 21:6; 2Rs 11:5-7; 2Cr 23:8.

Lealdade. Quando as dez tribos se separaram do reino sob Roboão e estabeleceram o reino setentrional sob Jeroboão, a tribo de Levi permaneceu leal e se apegou ao reino de duas tribos, de Judá e Benjamim. Jeroboão designou homens que não eram levitas para serem sacerdotes a serviço da adoração dos bezerros de ouro, e ele expulsou os sacerdotes de Jeová, os filhos de Arão. (1Rs 12:31, 32; 13:33; 2Cr 11:14; 13:9) Mais tarde, em Judá, embora muitos sacerdotes se tornassem infiéis a Deus, o sacerdócio às vezes exercia forte influência para manter Israel fiel a Jeová. (2Cr 23:1, 16; 24:2, 16; 26:17-20; 34:14, 15; Za 3:1; 6:11) Por volta da época do ministério de Jesus e dos apóstolos, o sumo sacerdócio se tinha tornado muito corrupto, mas havia muitos sacerdotes de bom coração para com Jeová, conforme se evidenciava em que, pouco depois da morte de Jesus, “uma grande multidão de sacerdotes começou a ser obediente à fé”. — At 6:7.



ACABE: POLITICAMENTE FORTE;
MORALMENTE CORRUPTO.




Acabe, rei de Israel

A cabe foi um rei politicamente forte e muito poderoso, mas muito fraco na moralidade pessoal. Ele fez alianças com Fenícia, Judá e Síria e levantou Israel como uma nação. No entanto, ele permitiu que sua esposa e rainha, Jezabel, uma mulher estranha para Israel, tanto na nacionalidade quanto na prática religiosa, promovesse idolatria em Israel. Isso provocou a ira de Deus e levou à queda de Acabe. Ele juntou-se a sua rainha na prática de idolatria, no entanto se humilhou diante de Deus ocasionalmente. Ele morreu em batalha em 853 a.C.

Israel invadido pelos siros

Podemos ler sobre como aconteceu a guerra entre Israel e a Síria, também chamada de “Arã” (1 Reis 20:1-21). Ben-Hadade, o rei da Síria, fez uma proposta, esperando que Acabe recusasse. Essencialmente, Síria exigiu que Acabe pagasse tributo à Síria que consistia de tudo de valor em Israel. Acabe teria que recusar isso, e seria o pretexto da Síria para guerra.
Pode ser que Ben-Hadade estava com medo que Israel estivesse ficando forte demais, assim obrigando Acabe a lutar. Acabe deu sua resposta famosa: “Dizei ao rei, meu senhor: Tudo o que primeiro demandaste do teu servo farei, porém isto, agora, não posso consentir. E se foram os mensageiros e deram esta resposta. Ben-Hadade tornou a enviar mensageiros, dizendo: Façam-me os deuses como lhes aprouver, se o pó de Samaria bastar para encher as mãos de todo o povo que me segue. Porém o rei de Israel respondeu e disse: Dizei-lhe: Não se gabe quem se cinge como aquele que vitorioso se descinge” (1 Reis 20:9-11). Isso foi uma resposta corajosa, mas arrogante. Acabe avisou ao Ben-Hadade que não agisse como se já houvesse ganho. Mas a arrogância de Acabe é vista no fato que ele não buscou a ajuda de Deus.
Com a batalha marcada para começar, Deus interveio para que Israel soubesse “que eu sou o Senhor” (1 Reis 20:13). Acabe fez como o profeta o instruiu, e a Síria foi derrotada. Mas os siros tiveram uma idéia. Teria uma segunda batalha (1 Reis 20:22-43). Os siros atribuíram corretamente a vitória de Israel ao seu Deus. Julgando-o como o Deus apenas dos montes, eles decidiram atacar Israel nas planícies (1 Reis 20:23,28). Novamente Acabe se preparou para a batalha sem buscar a ajuda de Deus. Novamente Deus interveio, não por causa de Acabe, mas porque os siros pensaram que ele era apenas “um deus dos montes”. Os siros foram derrotados com grandes perdas. Acabe, confiando na seu próprio juízo político, poupou Ben-Hadade e fez uma aliança com ele (1 Reis 20:32-34).
O Senhor ficou irado com Acabe por ter poupado Ben-Hadade. Deus predisse que na próxima batalha, Ben-Hadade venceria e Acabe morreria. Acabe ficou “desgosto e indignado” com a repreensão de Deus (1 Reis 20:42-43).
Há muito para aprendermos, hoje em dia, desta história. Algumas coisas para você pensar a respeito:
Primeiro, Deus deve receber a glória que ele merece. Ele não é um Deus apenas dos montes, mas do universo que ele mesmo criou. Os siros não tiveram respeito suficiente pelo poder de Deus, e muitos hoje em dia também não têm! Temo por aqueles que não reconhecem Deus e não lhe dão a glória correta na suas vidas (1 Coríntios 1:24-25; Mateus 19:26; 22:29; Romanos 4:20-22).
Segundo, as coisas destinadas a destruição devem ser destruídas. Há coisas que o cristão deve destruir em relação aos seus pecados, suas atitudes e características perversas (Romanos 6:6; Gálatas 2:20; 5:24).

A vinha de Nabote

A cabe desejava a vinha de Nabote em Jezreel para usar como horta, e fez uma oferta para trocar terrenos. Nabote recusou a oferta de Acabe, e o rei ficou “desgostoso e indignado” (1 Reis 21:1-4). Jezabel planejou matar Nabote e seus filhos (1 Reis 21:7; 2 Reis 9:26), acusando-o com falsa acusações feitas por “homens malignos” que ela subornou. Nabote foi morto por crimes pelos quais ele foi acusado falsamente, e com a sua morte, Acabe tomou posse da sua vinha.
Deus mandou Elias para profetizar contra Acabe pela sua maldade. As oportunidades de Acabe para se tornar uma pessoa melhor haviam acabado (1 Reis 21:17-24). A profecia consistia de três partes principais:
Œ O sangue de Acabe seria derramado no mesmo lugar.
a) A casa de Acabe seria destruída.
b) Cães comeriam Jezabel.
Acabe arrependeu-se e Deus adiou a destruição de sua casa até após a sua morte (1 Reis 21:27-29). Novamente podemos ver algumas lições importantes neste episódio da vida de Acabe:
Primeiro, não devemos ser tão fracos moralmente (como Acabe foi) que se torna fácil para os injustos nos manipularem (como Jezabel fez) (1 Reis 21:25-26). Dá para entender que Acabe nunca ficou confortável com as concessões que fez mas não estava disposto a tomar uma posição moral corajosa (Mateus 6:24).
Segundo, Deus irá retribuir mal por mal. No final das contas, nenhum mal fica sem pagar. Para homens e mulheres de fé, o preço foi pago por Jesus e aceito por nós através da nossa obediência fiel. O preço foi o sangue de Cristo. Para os sem fé, o preço será cobrado no julgamento final (Romanos 12:17,19; 2:5-6).

Israel e Judá invadem o território siro

A cabe pediu que o Rei Josafá de Judá os ajudasse em recapturar Ramote-Gileade. Josafá concordou em ajudar Acabe mas pediu orientação profética de Deus. Quatrocentos falsos profetas profetizaram sucesso. Micaías, um verdadeiro profeta de Deus, predisse derrota e foi preso (1 Reis 22:5-8,27-28).
Na batalha resultante, os siros foram vitoriosos. Apesar de estar disfarçado, Acabe foi morto por uma flecha perdida (1 Reis 22:34-37). Acabe morreu corajosamente na batalha. Os cães lamberam o sangue de sua carruagem no poço de Samaria, assim cumprindo uma parte da profecia de Elias (versículo 38). A profecia inteira seria cumprida em breve.
Novamente, estamos lembrados de algumas coisas importantes para nós também. A palavra de Deus é verdadeira e deve ser obedecida. Assim como Acabe escolheu não acreditar em Micaías o profeta, podemos fingir que a Bíblia não diz o que diz, preferindo alguma outra coisa, mas isso não muda a verdade (João 8:31-32,44-45; 14:6; 17:17; 18:37).
De certas maneiras Acabe teve muito êxito. Ele ganhou algumas batalhas. Sua nação prosperou durante seu reinado; ele é conhecido por construir cidades em Samaria. Mas sua vida acabou tragicamente, e ele entrou na eternidade afastado de Deus. Ele ouviu Jezabel demais e não ouviu Deus o suficiente. Ele foi um rebelde orgulhoso em vida, mas agora o orgulho se foi. É um sucesso vazio nesta vida que é seguido por derrota eterna! Deus foi paciente com Acabe. Não precisava acabar daquele jeito. Não tem que acabar daquele jeito com nenhum de nós!

–por Jon W. Quinn






Lições da vida de Gideão:

Depois da morte de Josué, o povo de Israel passou por mais de três séculos nos quais "não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto" (Juízes 17:6; 21:25). Durante esse período, se repetia várias vezes o mesmo ciclo: Œ O povo obedecia a Deus por algum tempo e, � depois, afastou-se dele. Ž Como alerta ao povo rebelde, Deus permitia que um inimigo o oprimisse. � Quando o povo se arrependia e pedia libertação, � Deus mandava juízes para livrá-lo das mãos dos inimigos.‘ O povo resgatado servia ao Senhor durante o resto daquela geração, assim começando, de novo, o ciclo. Gideão foi o quinto dos juízes ou libertadores, apresentado em Juízes, capítulos 6, 7 e 8. Da vida dele, podemos aproveitar muitas lições valiosas.
Homem valente ou homem tímido?

Os midianitas oprimiram os israelitas por sete anos. Eles subiam cada ano e tomavam os produtos alimentícios dos campos e todos os animais dos hebreus. Para sobreviver, os israelitas escondiam alimentos do inimigo. Gideão estava preparando comida para escondê-la quando o Anjo do Senhor apareceu. Imagine este homem, trabalhando com medo do inimigo, quando ele ouviu as palavras do Anjo: "O Senhor é contigo, homem valente" (Juízes 6:12). Pela resposta de Gideão, parece que ele nem pensou no significado da frase "homem valente". Ele entrou diretamente numa discussão com o anjo sobre a presença de Deus. Ele não entendeu como Deus, estando com o povo, deixaria Israel sofrer. Deus continuou a conversa, desafiando Gideão a resolver o problema. Já que ele duvidou da presença de Deus, devia ir na sua própria força (Juízes 6:14). Isso não! Gideão, agora, sentiu tão incapaz que procurou uma saída da missão dada por Deus. Ele explicou que era uma pessoa pequena de uma família insignificante de uma tribo pouco importante. Gideão não veio ao Senhor como homem valente. Deus ia fazer dele um líder corajoso.
A força verdadeira do servo do Senhor não vem de si mesmo, e sim de Deus. Ninguém é forte o bastante para resolver seus próprios problemas sozinho, especialmente quando falamos sobre nosso problema principal: o pecado. Dependemos de Deus e de sua graça (Efésios 2:8-9). Paulo disse: "tudo posso naquele que me fortalece" (Filipenses 4:13). Os homens valentes, hoje em dia, são aqueles que confiam no Senhor.
"Eu estou contigo"

Nas conversas com Gideão, Deus afirmou sua presença repetidas vezes. Primeiro, ele afirmou por palavras: "Já que eu estou contigo, ferirás os midianitas como se fossem um só homem" (Juízes 6:16). Segundo, ele afirmou por sinais. Antes da primeira missão de Gideão, Deus lhe deu um sinal impressionante. O Anjo do Senhor causou subir fogo para consumir a oferta de Gideão. Enquanto pessoas faziam ofertas ao Senhor todos os dias, era muito raro o próprio Senhor mandar o fogo para as consumir. Antes de sua segunda missão, Gideão recebeu mais três sinais. Deus deixou o orvalho molhar uma porção de lã sem molhar a terra em volta dela (Juízes 6:36-38). Na noite seguinte, ele fez ao contrário, deixando a lã seca no meio de terra molhada (Juízes 6:39-40). Nas vésperas da batalha, Deus permitiu que Gideão ouvisse uma conversa entre dois soldados midianitas, confirmando a sua vitória iminente (Juízes 7:9-15). Terceiro, Deus afirmou sua presença através de promessas cumpridas, principalmente no livramento do povo pela mão de Gideão (Juízes 6:16; 7:7,22; 8:10-12). As demonstrações de Deus foram convincentes. Gideão foi convertido!
A maior bênção imaginável é a presença do Senhor em nossas vidas. Quando Jesus veio ao mundo para habitar ou fazer seu tabernáculo entre os homens (João 1:14), foi lhe dado o nome Emanuel, "Deus conosco" (Mateus 1:23). No final da sua missão terrestre, ele foi preparar um lugar para nós na presença de Deus (João 14:1-4). Ele prometeu fazer morada naqueles que o amam (João 14:23).
A missão começa em casa

Uma vez que Deus chamou a atenção de Gideão, ele lhe deu a sua primeira missão: destruir os ídolos do próprio pai e fazer um altar ao Senhor no mesmo lugar (Juízes 6:25-26). Gideão levou dez homens consigo e cumpriu o mandamento do Senhor na mesma noite. Os vizinhos ficaram irados, mas o pai de Gideão entendeu o significado de seu ato e o defendeu. Um "deus" que não consegue se defender contra um punhado de homens não merece defesa pelos homens. Parece que Joás, pai de Gideão, foi o segundo convertido nessa história.
A nossa missão, como a de Gideão, começa em casa. Tanto no Velho como no Novo Testamento, Deus destaca as nossas responsabilidades em relação à própria família. Filhos devem obedecer e honrar aos pais (Efésios 6:1-3). Maridos e esposas devem amar um ao outro (Efésios 5:25; 1 Pedro 3:7; Tito 2:4-5). Pais devem instruir os filhos, criando-os na disciplina e admoestação do Senhor (Deuteronômio 6:6-7; Efésios 6:4). Um dos alvos de cada servo de Deus é de influenciar sua família para servir ao Senhor (Josué 24:15).
Deus dá a vitória

Chegou o dia da grande batalha (Juízes 7). Gideão conduziu seu exército de 32.000 israelitas para o campo de conflito contra 135.000 midianitas. Sua desvantagem militar era de 4 contra 1! Deus não deixou Gideão entrar na batalha com este número de soldados. Em duas etapas, ele diminuiu a força militar de Israel. Primeiro, 22.000 voltaram para casa, e os midianitas ficaram com uma vantagem de 13,5 contra 1. Na segunda etapa, Deus mandou embora mais 9.700 israelitas, deixando Gideão com apenas 300 soldados. Para vencer o inimigo, cada soldado israelita teria que vencer 450 do inimigo!
Deus, na sua perfeita sabedoria, tinha um propósito bem definido nesta redução das forças militares de Israel. Ele mandou seu exército à batalha com uma desvantagem tão grande que ninguém poderia dizer: "A minha própria mão me livrou" (Juízes 7:2). Usando uma estratégia que não fez nenhum sentido, em termos militares, a pequena banda de israelitas venceu o exército dos midianitas.
Até hoje, muitas pessoas não aprenderam esta lição. Confiam em números, achando que grandes multidões são evidência da aprovação de Deus. Dependem de estratégias e táticas humanas e carnais para alcançar alvos de crescimento de igrejas. E, no fim, se gabam em seus relatórios, destacando os grandes feitos de homens. Muitos missionários e outros líderes religiosos, como os midianitas, confiam nos grandes números e nas táticas humanas (igrejas promovendo atividades não espirituais para aumentar sua freqüência, ensinando mensagens diluídas que parecem mais relevantes aos seus ouvintes carnais do que a mensagem da cruz, destacando edifícios impressionantes para atrair pessoas que não aceitariam a chamada simples de um Salvador humilde, etc.)
Mas, os verdadeiros servos de Deus não desviarão para tais caminhos errados. "Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!" (Jeremias 17:5). "Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo" (Gálatas 6:14). "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Romanos 8:31).
Rejeição daqueles que ficaram em cima do muro

Gideão e sua banda de homens cansados perseguiram os midianitas (leia Juízes 8:1-21). Quando os soldados israelitas passaram nas cidades de Sucote e Penuel, eles pediram pão. Os homens dessas cidades não mostraram coragem para tomar uma atitude durante a batalha. Com medo de ofender os reis dos midianitas, eles recusaram ficar em pé com os homens de Deus. Só depois da batalha, quando baixar a poeira, apoiariam os servos do Senhor.
A decisão desses homens mostrou uma preocupação política ao invés de convicção espiritual. Pensaram mais na influência de homens importantes do que na palavra do Senhor. Gideão não aceitou tal postura. Ele voltou às mesmas cidades e castigou os covardes que recusaram apoiar os servos do Senhor na hora da batalha.
Gerações antes, Josué chamou o povo para tomar uma decisão para Deus e contra os falsos deuses (Josué 24:14-16). Séculos depois, Elias desafiou o povo indeciso com estas palavras: "Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o. Porém, o povo nada lhe respondeu" (1 Reis 18:21).
Hoje, muitas pessoas religiosas que alegam ser discípulos de Cristo demonstram a mesma covardia. Definem suas posições doutrinárias e práticas pelo vento de opiniões. Entendem mais de IBOPE do que de fé, mais de tradição do que de verdade, e mais de partidos do que de convicções. Paulo mostrou que o cristão deve sempre definir a sua posição pela palavra de Deus, e não pela opinião da maioria: "Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo" (Gálatas 1:10).

Bons homens tropeçam
Apesar de sua ilustre carreira militar, Gideão não era perfeito. O povo lhe agradeceu com um presente: argolas de ouro do despojo da batalha. Gideão usou o ouro para fazer uma estola sacerdotal que ele colocou na cidade dele. Não sabemos a intenção dele, mas os resultados são evidentes. O povo usou aquela estola como um tipo de ídolo, e logo iniciou o próximo ciclo de apostasia. Leia o relato em Juízes 8:22-35.
Devemos aprender desse erro. Às vezes, bons homens nos ajudam a sair da confusão religiosa, como Gideão ajudou os israelitas a saírem da idolatria. Esses homens podem nos ajudar em muitos sentidos, mostrando como respeitar a palavra de Deus em tudo que fazemos. Mas, eles ainda são homens. Da mesma forma que Gideão tomou o primeiro passo de volta à idolatria, bons homens hoje podem tropeçar e conduzir outros, de volta, à confusão religiosa. É uma ironia triste que, ao longo da História, muitos movimentos religiosos que começaram com tentativas de sair dos sistemas errados de denominações humanas resultaram na criação de novas denominações, com suas próprias tradições e falhas humanas. O fato que alguém nos ajudou no passado não garante que sempre nos conduzirá no caminho de Deus. Paulo mostrou que bons exemplos ajudam somente quando seguem a Cristo (1 Coríntios 11:1), e disse: "Julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal" (1 Tessalonicenses 5:21-22).
Conclusão: a grandeza de Gideão

Gideão será lembrado eternamente como exemplo de fé (veja Hebreus 11:32). A grandeza desse homem não se encontra na sua força física, nem na sua inteligência, nem na sua auto-confiança. A Bíblia não comenta sobre sua aparência física nem sobre seu jeito de falar. Gideão se destacou na História, não por ser um grande homem, mas por ter um grande Deus. Deus é capaz de transformar os fracos, os tímidos e os abatidos para dar grandes vitórias ao seu povo. Como Gideão disse: "O Senhor vos dominará" (Juízes 8:23).